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sábado, 25 de setembro de 2010

SER DIFERENTE É NORMAL

O primeiro passo é conscientizar as pessoas de que ninguém é igual a ninguém.

A atriz Luiza Tomé será a madrinha da campanha em São Paulo

SER DIFERENTE É NORMAL é uma campanha cuja ação direta e imediata é diminuir o preconceito e conscientizar a sociedade sobre capacidades e potencialidades das pessoas com alguma necessidade especial, visando sua inserção no mercado de trabalho e na sociedade. É uma proposta de acabar com as diferenças, viver com elas e fazer sua parte para que isto aconteça pois, afinal, SER DIFERENTE É NORMAL!

Toda venda das camisetas será revertida para a o Instituto Meta Social e a ONG 3IN. A 3IN e o Meta Social são Organizações com o título de OSCIP e a 3IN também participou e participa de todas as articulações na ONU em NY sobre os Direitos da Pessoa com Deficiência, além de participar da lista dos Países com garantia de participação da sociedade civil no comitê de direitos da pessoa com deficiência da ONU, http://www.un.org/disabilities/default.asp?id=739

A 3IN também ingressou no Comitê de Direitos Humanos e Política Externa, composto por diversas organizações na área de direitos humanos.

terça-feira, 11 de maio de 2010

“Mães e Filhos com Deficiência frente ao Estilo de Vida Independente”


A Associação 3 IN e o CVI-AN são organizações da sociedade civil

que atuam na garantia dos direitos das pessoas com deficiência,

promovendo ações que, além de outras coisas, favoreçam a inclusão

desse significativo segmento da sociedade.

O mês de maio é marcado por datas importantes, porém, a de

maior impacto em nossa vida é, sem dúvida, o Dia das Mães, quando

homenageamos a pessoa que nos acompanha desde antes do

nascimento e está conosco em todos os momentos. Por este motivo,

organizamos e oferecemos o evento “Mães e Filhos com Deficiência

frente ao Estilo de Vida Independente”.

DATA: 15 de maio de 2010 (sábado).

LOCAL: Sesc Vila Mariana, Rua Pelotas 141 – Vila Mariana, São Paulo/SP.

HORÁRIO: 10:00 as 17:00


Programação

10:00 – Recepção.

10:20 – Abertura:

Dra. Izabel Maria de Loureiro Maior ( Subsecretária Nacional de Promoção dos

Direitos da Pessoa com Deficiência da Secretaria Especial dos Direitos

Humanos da Presidência da República.

Barbara Kirchner (Superintendente da Associação 3IN – Inclusão, Integridade e

Independência).

Romeu Kazumi Sassaki (Presidente do Centro de Vida Independente Araci

Nallin).

10:30 – Palestra: “A Convenção sobre os Direitos das Pessoas com Deficiência: Direito

à Família e à Vida Independente” - Laís Vanessa de Figueirêdo Lopes

(Advogada e assessora jurídica da Associação 3IN).

11:00 – Palestra: “Independência, Autonomia e Empoderamento na Vida das Pessoas

com Deficiência” - Romeu Kazumi Sassaki (Consultor de inclusão social e

presidente do CVI-AN).

11:30 – Debate com o público.

12:00 - Almoço.

13:30 – Depoimentos: “Ser Mãe de uma Pessoa com Deficiência”.

Ivani Valente (mãe de uma criança com autismo).

Teda Pellegrini (mãe de um adulto com deficiência física).

Mediadora: Barbara Kirchner (Superintendente da Associação 3IN).

14:30 – Debate com o público.

15:00 – Intervalo.

15:15 – Depoimentos: “Ser Mãe com Deficiência”.

Naira Rodrigues (Fonoaudióloga e coordenadora geral da Associação 3IN).

Sueli Ramalho (Professora e coordenadora do Setor de Inclusão/Libras da Uni

Sant’Anna).

Mediadora: Lia Crespo (Jornalista e membro do Centro de Vida Independente

Araci Nallin).16:15 – Debate com o público.

17:00 – Encerramento do evento.

Observação 1: Os participantes que guardarem seu carro no estacionamento do Sesc

Vila Mariana poderão, na saída, pagar a taxa especial de R$5,00 por todo o

período (09:30 - 17:30) ao informarem que participaram do evento do CVI-Araci

Nallin.


quinta-feira, 8 de abril de 2010

O RETORNO DO TUBARÃO


O atleta paraolímpico Clodoaldo Silva, embarcará nesta madrugada de sexta-feira (9), para a cidade de Goiânia-GO, onde disputará a primeira etapa regional Centro- Leste, que ocorrerá no fim de semana. Essa é a primeira vez que a cidade sediará um evento desse porte. Serão 722 atletas, de 12 estados, buscando um único objetivo, alcançarem o índice mínimo estabelecido para se classificar para as etapas nacionais do circuito, que acontecerão na cidade de Fortaleza-CE, São Paulo-SP e Porto Alegre-RS.

Os goianos terão a oportunidade de ver em ação o melhor atleta paraolímpico da história do nosso país, onde em três paraolimpíadas (Sidney 2000; Atenas 2004 e Pequim 2008), ganhou seis ouros, cinco pratas e dois bronzes totalizando uma conquista de 13 medalhas paraolímpicas. A última competição oficial de Clodoaldo Silva foram nos Jogos Paraolímpicos de Pequim. Após as paraolimpíadas o nadador passou um longo período afastado das piscinas, pelos seguintes motivos: Dois meses antes do parapan americano de 2007 começou a sentir fortes dores lombares, onde através de exames, os médicos diagnosticaram um rápido desgaste dos discos intervertebrais. A recomendação era para que ele imediatamente parasse. Por escolha própria, decidiu que continuaria a competir nos jogos do Rio e nos Jogos Paraolímpicos de Pequim, logo após iniciou o tratamento. Houve todo um planejamento para a reabilitação onde está cumprindo com toda dedicação e atenção que o caso merece. Se a vida do atleta foi tranquila dentro das␣piscinas em 2009, fora delas não se pode dizer o mesmo. Ele viajou por todo o Brasil ministrando palestras motivacionais, recebeu vários convites para apadrinhar projetos sociais nas cidades de São Paulo/SP, Rio de Janeiro/RJ, Jaguaré/ES e Natal/RN, recentemente assumiu a coordenadoria do paradesporto do Natal/RN e se dedicou a vida pessoal com sua nova família (o atleta casou-se no final de 2008).

Desde o ano passado, o atleta defende a Associação Niteroiense dos Deficientes Físicos (ANDEF/RJ), local onde encontrou uma nova motivação para retornar aos treinos e as competições. Segundo ele, necessitava de uma boa estrutura e profissionais capacitados que pudessem oferecer o suporte necessário para voltar ao cenário paraolímpico em grande estilo.

Para Clodoaldo Silva se destacar em sua nova classe, ele sabe que deverá desenvolver um trabalho de novos conhecimentos e habilidades que até o momento não foram estimulados, com isso seu treinamento está sendo muito intenso para o desenvolvimento das mesmas. A maioria dos atletas da classe S5, possuem impulso na saída do bloco, virada olímpica, ondulação e pernada,

enquanto na classe S4, os atletas não possuem essas habilidades.

Acredito muito no meu potencial, nos profissionais que estão me orientando, e nos atletas que estão nadando ao meu lado ..... Ser campeão em uma nova classe, me motiva muito. Ainda mais, quando sei que essa classe tem um grau de deficiência bem superior a minha., esclarece o atleta.

Para este ano o principal objetivo do Potiguar é conseguir a classificação para o mundial de natação que acontecerá na cidade de Haidhoven ␣ Holanda, no mês de agosto. Em 2011, pretende buscar uma vaga para os jogos Parapan- americanos em Guadalajara ␣ México e em 2012, almeja participar da sua quarta e última paraolimpíada, onde pretende pendurar sua sunga, como ele mesmo diz.

Em 2012, o atleta estará completando 14 anos de pura dedicação ao esporte. Neste período conquistou muitas medalhas, títulos e o reconhecimento da torcida brasileira, provando que as pessoas com deficiência são limitadas mais não incapazes de conquistar seus sonhos e objetivos e de obter um lugar em destaque na sociedade brasileira, independente de ser atleta ou não. Quero alçar novos vôos, contribuindo para que as pessoas com deficiência possam ter o seu merecido espaço e valor, através de projetos sociais do Instituto Clodoaldo Silva, disse.

A etapa regional centro-leste terá as modalidades de atletismo, halterofilismo e natação, que acontecerá na piscina no SESI clube onde Clodoaldo Silva irá nadar as seguintes provas: 50m, 100m e 200m livres; 50m borboleta; 50m costas; 50m peito; 200m medley; e dois revezamentos. resultados nessas nove provas, porém o mais importante é voltar a competir e disputar títulos, concluiu.

domingo, 7 de março de 2010

IMPRESSÃO DE UMA MULHER COMUM

Impressão de uma mulher comum

Por: Naira Rodrigues

Este artigo se propõem explicitar as impressões e pensamentos de um mulher comum, daquelas que não tem nada de especial, sem habilidades fantásticas ou talentos extraordinários.

Nos últimos tempos tenho me deparado com um crescente número de matérias, programas de televisão e documentários, tratando da temática da pessoa com deficiência do ponto de vista do dia-a-dia de pessoas extraordinárias. Só homens e mulheres, que fazem de sua vida algo fantástico, escalando prédios, cantando divinamente, escrevendo poesias, entre outros tantos talentos. Faz algum tempo que venho me perguntando com seria, na verdade a vida de cada uma dessas pessoas, com que "cara" acordam, como se sustentam verdadeiramente, quando choram ou riem. Confesso que sinto-me excluída desse hall de pessoas fabulosas e, para piorar, fui chamada para um desses documentários, uma proposta envaidecedora, uma vez que seria um filme sobre a vida de algumas poucas pessoas cegas escolhidas e eu, uma pessoa tão comum, fui escolhida!

Pois a coisa não era bem como eu imaginava, no dia da gravação, tudo pronto, um aparato enorme, todos prontos? Eu estava lá ansiosa esperando o que iria acontecer naquele dia.

Durante a filmagem me deparei com um diretor que estava montando um cenário que não parecia muito semelhante ao que representava meu dia-a-dia, enfim, coisas do cinema. Durante a entrevista para o filme, após algumas horas de exaustiva filmagem de movimentos e cenas, para mim, sem nexo, o diretor me faz a pergunta: E você quais seus talentos especiais? Como é sua rotina?

Parei por um instante, pensei no que deveria responder e disse: Meu talento especial? Minha rotina é como a de tantas mulheres que criam seus filhos sozinhas, acordo muito cedo, arrumo meus filhos para a escola, tomo meu café correndo, os levo pra a escola e sigo para o trabalho de metrô.

Ele insistiu: Uma mulher como você ativa, bonita, certamente tem algum talento especial, seus sentidos devem ser muito mais apurados. Você escreve? Canta? Faz algum esporte radical?

Bem, não vou ficar aqui relatando a situação na integra, mas foi isso, ele queria descobrir qual meu "super-poder" e, então quando eu contei detalhadamente minha rotina fui cortada do filme, não tinha o perfil que eles buscavam para aquele documentário.

Tenho a impressão que ainda queremos ver mulheres super poderosas, o mito do super-herói existe em toda a sociedade, mais dentro de nós, das pessoas que precisam mostrar seus poderes para sentir-se gente.

Onde ficam as mulheres, aquelas que tem suas vidas repletas de riscos, alegrias, tristezas, emoções, cansadas e com energia para recomeçar a cada dia.

A Convenção sobre os Direitos das Pessoas com Deficiência traz um artigo exclusivo para as mulheres com deficiência, afirmando que os estados partes devem promover a proteção pra todas as mulheres com deficiência em igualdade de condições com as demais mulheres do mesmo estado. Pessoalmente, sinto-me contemplada pela Convenção nesse artigo, uma vez que trabalho todos os dias em busca de ser mais uma na multidão, de estar em igualdade de condições, sem mitos especiais, sem compensações quase divinas por ser alguém que com uma deficiência, simplesmente teima em viver.

Talvez, esteja parecendo amarga nesse momento, mas, de verdade, fico pensando porque pessoas comuns, que cuidam de seus filhos, trabalham, pagam suas contas com dificuldades, utilizam transporte público, tentam estar bem com seu corpo, sua imagem, seus parceiros e, tudo isso, incluindo a deficiência, porque essas pessoas não estão na mídia, não fazem parte da representação social que estamos construindo a partir do modelo de uma sociedade para todos.

Bem, estamos em 08 de março de 2010, dia internacional da mulher, de qualquer mulher, da mulher comum, da mulher com ou sem deficiência, da mulher que ama e deseja ser amada, da mulher que vive intensamente cada minuto, daquela que é livre em seu pequeno mundo, daquela que sente-se presa em suas fantásticas vidas de heroínas?.

domingo, 21 de fevereiro de 2010

O FRACASSO DO FILME DE LULA


Autor:  IPOJUCA PONTES
   Produto estrategicamente amparado pelo aval do Palácio do Planalto e embalado para ser visto por 20 milhões de espectadores pagantes, “Lula, o Filho do Brasil”, o mais caro filme produzido até hoje no país (algo em torno de R$ 40 milhões, incluindo farta publicidade, confecção de 430 cópias e outras despesas) - fracassou miseravelmente. Ao tomar conhecimento do fato Lula ficou “desapontado”, pois contava com o êxito do filme para arrebanhar votos e eleger Dilma Rousseff - ex-terrorista e assaltante de banco - à presidência da República.Em São Paulo, principal mercado exibidor do país, o filme de Lula conseguiu pouco mais de 100 mil espectadores na sua segunda semana de exibição. (Para se ter idéia do desastre, em apenas três dias o desenho animado “Alvim e os Esquilos”, produção de segunda linha americana, superou a casa dos 640 mil ingressos vendidos). E na sua terceira semana de exibição, em circuito nacional, a frequência media do filme, que já era baixa, caiu 70%, consolidando a derrocada.  Fui ver o filme de Lula numa sala da Zona Sul do Rio, na última sessão de uma sexta-feira, horário considerado nobre para o mercado exibidor. Sua platéia, constituída por 17 incautos, mostrava-se entediada, em que pese o som áspero de uma trilha sonora sobrecarregada – em cinema, curiosamente, um fator decisivo para se anular a atenção do público. Antes do letreiro “Fim”, uns cinco espectadores, mais hostis, simplesmente abandonaram a sala de projeção, entre apupos e imprecações. Por que o filme de Lula, mesmo com a milionária campanha de marketing e massivas chamadas na televisão, além do intenso noticiário da mídia amiga e o apoio milionário das centrais sindicais, fracassou a olhos vistos? Em primeiro lugar porque é um filme pesado, “bore” - como diria, apropriadamente, a vigorosa Pauline Kael. Seu roteiro, por elíptico, caminha aos saltos e carece de uma estrutura dramática eficiente, capaz de envolver o espectador. Seus articuladores, movidos pela insensatez, pretendendo compor um ambicioso painel da vida do “cinebiografado”, estraçalharam as etapas de apresentação, desenvolvimento, clímax e desfecho da narrativa em função de uma montagem que corre em velocidade supersônica, suprimindo, com isso, a necessária integridade e clareza da narrativa. Eis o veredicto: como se processa numa dramaturgia capenga, o filme de Lula corre por conta de situações dramáticas apenas esboçadas e, ao modo de um relatório previsível, materializa-se como peça de ilustração – ilustração chata e pouco convincente. Mas a razão primeira pela qual o filme de Lula fracassa é porque ele navega, do início ao fim, nas águas turvas da mentira. Basicamente tudo que nele é exposto - desde os episódios da infância carente narrados em tom autocomplacente pelo ex-operário à “companheira” Denise Paraná (paga pela Fundação Perseu Abramo, instituição petista) até os relatos da sua ascendência na vida sindical - traz o selo da invencionice dissimulada e o desejo manifesto de se fabricar a imagem do herói predestinado que se fez presidente. Como o filme não tem senso humor, o ponto de partida objetivado é comover o espectador pela exploração emotiva do miserabilismo físico e humano da paisagem social adversa. Neste diapasão, por exemplo, a cabrinha traçada por Lula na infância, conforme seu relato à “Playboy”, fica de fora. Como de fora fica o episódio marcante em que Vavá, o irmão mais velho de Lula, rouba mortadela para matar a fome da família - cena que é o ponto de partida de “Os Miseráveis”, a obra perene de Victor Hugo. Por sua vez, na ânsia de soterrar a moral de botequim que norteia o personagem, por (de)formação infenso a qualquer tipo de valor espiritual, o filme subtraí a cena em que o futuro líder sindical, depois de pedir ao patrão para fazer algumas horas extras na oficina, enfia o dinheiro pago no bolso e, fugindo do trabalho, manda o patrão “tomar no cu”. Como também fica ausente da narrativa, não por acaso, o relato crucial da enfermeira Miriam Cordeiro, ex-mulher do santificado sindicalista, que o trata por consumado “canalha” em depoimento ao “Estado de São Paulo”, tendo em vista a discriminação exercida por ele contra a filha Lurian, cuja vida, anos antes, “queria ver abortada”. Ademais, para enganar a audiência, os articulares da escorregadia peça publicitária sequer mencionam o papel dos cursilhos comunistas (lecionados na Alemanha Oriental) na formação ideológica do sindicalista empenhado em fomentar o ódio de classe. Por outro lado, com o firme propósito de incensar o mito do líder carismático, pleno de virtudes, o filme esconde as relações promíscuas de Lula com Murilo Macedo, o ministro do Trabalho com quem enchia a cara de cachaça num sítio de Atibaia, interior de São Paulo, na tentativa de morder a grana fácil da “ditadura militar”. Pior: o filme esconde do espectador que a liderança de Lula no movimento sindical emerge da infiltração dos apóstatas da “teologia da libertação”, aliados do terrorismo (rural e urbano) financiado por Fidel Castro, somada à ação dos ativistas radicais banidos da vida política cabocla e dos intelectuais marxistas da USP - na prática os reais fundadores do Partido dos Trabalhadores. Não parece estranho, por exemplo, que tenha sido eliminado do entrecho a figura subversiva do “Frei” Betto, o mentor ideológico do maleável líder sindical? Por incrível que parece, há no filme de Lula dois personagens que são responsáveis pelos momentos (raros) em que o filme anda e adquire verossimilhança. São eles: Aristides (interpretado por Milhem Cortaz, na férrea composição de um sub-Zampanô caboclo), o pai alcoólatra de quem Lula reconhece ter “herdado o lado ruim”, e Feitosa (Marcos Cesena, convincente), na vida real Paulo Vidal, o presidente do Sindicato dos Metalúrgicos, hábil precursor do “sindicalismo de resultados”, de quem o operário de nove dedos tudo absorveu em matéria de malandragem e, depois, já contando com o apoio e as instruções das facções vermelhas, traiu. São personagens episódicos, mas funcionais, visto que representam de alguma forma presenças antagônicas, sem as quais não há vestígio de dramaturgia. Já a personagem de D. Lindu (Gloria Pires, uma máscara sustentada com boa porção de pancake), de quem muito se esperava, opera convencionalmente, proferindo sentenças prosaicas, como é de se esperar de uma figura materna – por sinal, segundo Frei Chico, o filho mais velho, negligenciada pela eterna ausência do amado líder sindical. Resumo da ópera: em vez de uma cinebiografia contraditória e humana, temos no filme de Lula o engendrar da construção de um mito. Nele, o personagem é visto como um ser perfeito e predestinado – logo ele, um sujeito grosseiro e vulgar, desprovido de qualquer tipo de grandeza, a não ser a de mercadejar mentiras em função da manutenção do poder. Nem Stalin, o monstruoso fabricante de si mesmo, consentiu que se cultuasse, em vida, sob forma de obra de ficção, sua personalidade ditatorial. O que restará ao filme de Lula? Com o apoio da grana fácil do governo, cumprir a sua missão como peça de propaganda enganosa na agenda eleitoral de 2010. No Sul do país, as centrais sindicais estão distribuindo milhões de ingressos entre os seus filiados, ao tempo em que fornecem sanduíche, refrigerantes e serviço de transporte gratuito aos eventuais companheiros que se disponham a ver a peça de louvação. No Nordeste, fala-se na contratação de unidades móveis de exibição para percorrer centenas de cidades do interior que ainda não possuem salas de projeção. São gastos adicionais que os mentores (públicos e privados) do projeto não abrem mão na esperança de que as populações miseráveis testemunhem o florescer da Virtú. A meu ver, inutilmente. Pois, como dizia o outro (que não foi, em absoluto, o Joãozinho Trinta), quem gosta de miséria - e dela se beneficia - são os intelectuais de esquerda. Pobre – ou operário - só quer luxo e riqueza. No que está coberto de razão. P.S. – Visto como espetáculo soa como desperdício que “Lula, o Filho do Brasil”, o “bom negócio” da LC Barreto, tenha custado em torno de enxundiosos R$ 20 milhões, até a 1ª cópia. É muita grana! Um produtor eficiente teria chegado a resultado idêntico com pouco mais de R$ 2 milhões. (JBF) E O PIOR: ELE  NÃO MORRE NO FINAL! QUE SACO!! 

quarta-feira, 17 de fevereiro de 2010

Professora cega passa em concurso e, 1 lugar, mas é barrada


Aprovada em 1º lugar entre os deficientes visuais que fizeram o concurso público da Secretaria Municipal de Educação no ano passado, a pedagoga Telma Nantes, trava uma batalha para conseguir assumir a vaga de professora de Educação Infantil.

Enquanto em cidades paulistas existem professores portadores de deficiência visual, em Campo Grande, a profissional foi considerada inapta por não ter condições de corrigir cadernos e provas. Telma Nantes ocupa o posto de presidente do Instituto dos Cegos e também é vice-presidente da entidade nacional.

Segundo ela, o poder público deve dar exemplo de inclusão social e como professores de Educação Infantil têm auxiliares, a pedagoga garante que não teria problemas para lecionar. Ela acionou a OAB-MS (Ordem dosAdvogados do Brasil – Seccional Mato Grosso do Sul), a Assembleia Legislativa e espera que a Prefeitura reveja a situação.

Discriminação

Segundo Telma Nantes, quando teve que ser entrevistada pela equipe multidisciplinar da Secretaria de Educação, foi surpreendida pelas risadas de um médico que teria dito: "Como você pensa que vai ensinar desse jeito?".

"Foi um ato de discriminação devido o preconceito da equipe multiprofissional com pessoa de deficiência".

"Na hora eu fiquei quieta por medo de não ser nomeada. Eu sei que o prefeito não sabe o que acontece, mas todo professor tem um auxiliar. Eu que crie as minhas metodologias ou seja adequada a um espaço porque tenho certeza que tenho muito o que contribuir".

No ano passado, na hora da inscrição, a pedagoga protocolou os documentos, pagou R$ 70, 00 e o concurso aconteceu no dia 13 de dezembro de 2009. "Passei fiz a prova de títulos. Não estudei. É meu saber puro".

Outro lado

Segundo informações da assessoria de imprensa da Prefeitura, a pedagoga Telma Nantes de Matos fez o concurso e foi aprovada na prova escrita, mas foi considerada inapta pela comissão de avaliação.

A comissão de avaliação é composta de uma fisioterapeuta, dois pedagogos, um médico e um psicólogo. "Ao inscrever no concurso o candidato toma ciência que passara pela comissão de avaliação. Esta avaliação é aplicada em todos os concursos. As regras do concurso estão publicadas no suplemento do Diogrande (Diário Oficial de Campo Grande), do dia 03.11.2009. A Prefeitura de Campo Grande segue a Lei Federal de 3.299 de 20 de dezembro de 1999".

Porém, segundo informações da assessoria de imprensa da Prefeitura, está sendo avaliada uma saída para a situação. Detalhes sobre as questões discriminatórias, denunciadas pela pedagoga não foram detalhados na nota à imprensa.

Inclusão

Uma notícia relacionada ao tema veicula na Internet no site e-educador – ‘Cego desde os 7 anos o professor José Carlos da Silva dá exemplo de superação e serve de inspiração à categoria que comemora sua data hoje'.

Deficiente visual após contrair meningite aos 3 anos, o professor de geografia José Carlos da Silva, de 40 anos, há 20 no magistério, tinha 7 anos quando começou a ser alfabetizado em braile. Passava horas imaginando como seriam as paisagens relatadas pelos professores em sala de aula. Foi quando decidiu abraçar o ofício de lecionar a matéria comocarreira profissional.

"Ficava viajando sobre como seriam as imagens de verdade", lembra. Até a formatura, enfrentou uma série de obstáculos até assumir a própria turma em uma escola estadual na região de Suzano, na Grande São Paulo, onde leciona até hoje. Alguns de seus alunos, com a mesma limitação visual que ele, agora não precisam enfrentar mais tantas dificuldades como as que passou.

"Na minha época não era como hoje. Agora as escolas tem mobilidade, elevador, piso podotátil e material didático em braile e em áudio", afirma. Desde 2001, ele e a direção da Escola Estadual Professora Leda Fernandes Lopes criaram um projeto de inclusão para alunos e moradores da comunidade que também não enxergam.

Com a proposta, Silva faz mais do que alfabetizar em braile. "Muitos não nasceram cegos, mas perderam a visão pelos mais diversos motivos, muitas vezes já com certa idade", diz. "Eu os ensino a andar com a bengala e a se inserirem novamente no mercado de trabalho depois de participar de oficinas profissionalizantes." Atualmente, tem cerca de 20 alunos, de oito a 60 anos de idade.

Uma das histórias de superação que mais o comoveu foi a de um garoto que era "escondido" em casa pela família por causa da deficiência visual. "Ele não saía, não era levado a lugar algum. Veio para a escola depois de convencermos os pais. Hoje não só está alfabetizado como ganhou autonomia, trabalha e está casado."

O professor também leciona para alunos que enxergam. Garante nunca ter tido problemas. "Piadinhas acontecem, mas é normal nesse ambiente. Faço tudo o que um professor que enxerga faz. Passo lição na lousa, desenho mapas, ensino informática." Nas provas, uma secretária o auxilia a vigiar a turma para não colar. Quem o auxilia na correção é a mulher dele, Adriana, 40 anos, também professora. O casal tem um filho, Brian, de 18 anos, modelo profissional. Mãe e filho enxergam.

(Fonte: Agora / Jornal da Tarde (15.10.2009) Rejane Tamoto / Luisa Alcalde)

sábado, 13 de fevereiro de 2010

A COISA ESTÁ FICANDO PRETA - PATRULHAMENTO GERAL

O primeiro jornalista a sofrer cerceamento do direito de bem informar, em conseqüência dos seus
 verdadeiros, contundentes e       procedentes comentários contra os desmandos do atual governo, foi o Boris Casoy. De acordo com o noticiário da época, ele foi demitido a       pedido do próprio Lulla.       Entretanto aos olhos dos menos atentos, a coisa vem se agravando de maneira avassaladora e perigosa, senão vejamos:        O Programa do Jô tirou do ar (sem dar qualquer satisfação ao público) o quadro "As Meninas do Jô" que era apresentado às quartas feiras onde as       jornalistas Lilian Witifibe, Ana Maria Tahan, Cristiana Lobo, Lúcia Hippólito e, por vezes, outras mais, traziam à público e debatiam todas as falcatruas perpetradas  por essa corja de corruptos que se apossou do país. As entrevistas sobre temas políticos não têm sido mais levadas a efeito atualmente. Virou um programa de amenidades  e sem qualquer brilhantismo.        O jornalista Arnaldo Jabor, considerado desafeto pelo governo atual, vem sofrendo, de forma velada e sistemática, todo tipo retaliação. Já foi       processado, condenado, amordaçado e por aí vai. Sua participação diária, às 07h10min na Rádio CBN tem se limitado a assuntos sem a relevância que       tinha, haja vista que está impedido de falar sobre assuntos que envolvam a política nacional e o atual governo..        A jornalista Lúcia Hippólito, que tinha uma participação diária, às 07:55 hs na Rádio CBN, não está mais ocupando o microfone da emissora como fazia e nenhum  comunicado foi feito pelo âncora do horário, o jornalista Heródoto Barbeiro. Sorrateiramente, colocaram-na como âncora em outro horário, onde enfoca matérias mais  amenas e sem a habitual, verdadeira e procedente contundência.                       Diogo Mainard, da Revista Veja, além de processado, vem sofrendo várias ameaças de morte por parte do jornal do MR-8 (que faz parte da base       aliada ao Lulla) e de integrantes dos chamados "Movimentos Sociais".        O jornal "Estadão" de São Paulo está sob forte censura governamental há pelo menos 60 dias.        Pelo que se vê Fidel Castro está fazendo escola na América do Sul.        O primeiro a colocar em prática estes ensinamentos, aniquilando o direito de imprensa foi Hugo Chaves, e pelo andar da carruagem o nosso       "PresiMENTE" está trilhando pelo mesmo caminho.                        Constitucionalmente :       Onde está o ESTADO DEMOCRÁTICO DE DIREITO?                                                            Onde está o LIVRE DIREITO DE MANIFESTAÇÃO?                                                           Onde está a LIBERDADE DE EXPRESSÃO?                                                           Onde está a LIBERDADE DE UMA NAÇÃO?  

quarta-feira, 27 de janeiro de 2010

A LUTA DE SEMPRE DE LUIZ ALGACIR


Luiz era extremamente querido pelos amigos e companheiros de esporte. O tênis de mesa era a paixão deste curitibano que perdeu os movimentos das pernas aos 15 anos, após cair de uma árvore em Foz do Iguaçu.
Morreu no último sábado dia 23 lutando contra o cancer. Um verdadeiro ser humano, daqueles que se encontra raramente. Sua alegria contagiava a todos .
É com este sorriso que eu quero lembrar de você, e que certamente é a imagem que todos nós teremos de você Luiz.
Lembro-me como se fosse ontem das boas gargalhadas que dei com você no Parapan, pessoalmente e com sua brincadeiras pelo rádio que usávamos para comunicação durante o evento.
Fique em PAZ amigo....

terça-feira, 19 de janeiro de 2010

HAITI - A história começa bem antes de Papa e Baby Doc , que foram marionetes de nações ricas.




Estou lendo agora texto de Eduardo Galeano que me chegou pelo meu amigo Dario Leão. É de ficar chocada e morrendo de vergonha pelo comportamento humano..."O álibi demográfico. Em fins do ano passado, quatro deputados alemães visitaram o Haiti. Mal chegaram, a miséria do povo feriu-lhes os olhos.


A história do assédio contra o Haiti, que nos nossos dias tem dimensões de tragédia, é também uma história do racismo na civilização ocidental.

Por essa altura, o Haiti já estava em mãos de ditaduras militares carniceiras, que destinavam os famélicos recursos do país ao pagamento da dívida francesa. A Europa havia imposto ao Haiti a obrigação de pagar à França uma indenização gigantesca, a modo de perdão por haver cometido o delito da dignidade.

Os Estados Unidos reconheceram o Haiti apenas sessenta anos depois do fim da guerra de independência, enquanto Etienne Serres, um gênio francês da anatomia, descobria em Paris que os negros são primitivos porque têm pouca distância entre o umbigo e o pénis.

Bolívar cumpriu com este compromisso, mas depois da sua vitória, quando já governava a Grande Colômbia, deu as costas ao país que o havia salvo. E quando convocou as nações americanas à reunião do Panamá, não convidou o Haiti mas convidou a Inglaterra.

O governo haitiano havia-lhe entregue sete naves e muitas armas e soldados, com a única condição de que Bolívar libertasse os escravos, uma ideia que não havia ocorrido ao Libertador.

Nem sequer Simón Bolíver, que tão valente soube ser, teve a coragem de firmar o reconhecimento diplomático do país negro. Bolívar havia podido reiniciar a sua luta pela independência americana, quando a Espanha já o havia derrotado, graças ao apoio do Haiti.A bandeira dos homens livres levantou-se sobre as ruínas. A terra haitiana fora devastada pela monocultura do açúcar e arrasada pelas calamidades da guerra contra a França, e um terço da população havia caído no combate. Então começou o bloqueio. A nação recém nascida foi condenada à solidão. Ninguém lhe comprava, ninguém lhe vendia, ninguém a reconhecia.Jefferson, que era dono de escravos, dizia que todos os homens são iguais, mas também dizia que os negros foram, são e serão inferiores.Em 1803 os negros do Haiti deram uma tremenda sova nas tropas de Napoleão Bonaparte e a Europa jamais perdoou esta humilhação infligida à raça branca. O Haiti foi o primeiro país livre das Américas. Os Estados Unidos haviam conquistado antes a sua independência, mas tinha meio milhão de escravos a trabalhar nas plantações de algodão e de tabaco.Um dos responsáveis da invasão, William Philips, havia incubado tempos antes a ideia sagaz: "Este é um povo inferior, incapaz de conservar a civilização que haviam deixado os franceses".

Então Robert Lansing, secretário de Estado, justificou a longa e feroz ocupação militar explicando que a raça negra é incapaz de governar-se a si própria, que tem "uma tendência inerente à vida selvagem e uma incapacidade física de civilização".

A tradição racista. Os Estados Unidos invadiram o Haiti em 1915 e governaram o país até 1934. Retiraram-se quando conseguiram os seus dois objectivos: cobrar as dívidas do City Bank e abolir o artigo constitucional que proibia vender plantações aos estrangeiros.

urante os seus dias no Haiti, o deputado Wolf não só foi golpeado pela miséria como também foi deslumbrado pela capacidade de beleza dos pintores populares. E chegou à conclusão de que o Haiti está superpovoado... de artistas.

essa noite, um deles, Winfried Wolf, consultou os números. E comprovou que o Haiti é, com El Salvador, o país mais superpovoado das Américas, mas está tão superpovoado quanto a Alemanha: tem quase a mesma quantidade de habitantes por quilômetro quadrado.

Então o embaixador da Alemanha explicou-lhe, em Port-au-Prince, qual é o problema:– Este é um país superpovoado, disse ele. A mulher haitiana sempre quer e o homem haitiano sempre pode.E riu. Os deputados calaram-se." Pode tamanho cinismo ?


POR ADYEL SILVA : EDITADO EM SEU FACEBOOK DIA 19/01/2010

segunda-feira, 7 de dezembro de 2009

Subsecretária nacional irá zerar déficit de equipamentos para pessoas com deficiência até 2010

Na semana passada houve uma mudança no organograma da Secretaria Especial de Direitos Humanos.
A Coordenadoria para a Integração da Pessoa portadora de Deficiência mudou de nome e de status: perdeu a palavra "portadora" e ganhou um degrau na escala de poder, passando a ser uma subsecretaria.

No comando da nova subsecretaria está a médica Izabel Maior. Izabel, deficiente física, resultado de uma lesão na medula há três décadas, é usuária de cadeira de rodas (embora consiga também se locomover com apoio de uma bengala, eventualmente).

Izabel afirma que a situação dos deficientes melhorou muito nos últimos anos. Entre os marcos dessa mudança, ela aponta a Constituição de 1988, que concedeu uma série de direitos às pessoas com deficiência, o ano de 1993, quando o país começou a fabricar cadeira de rodas, e a agenda social para a área, de 2007.

A agenda de 2007 identificou um número de 1,058 milhão de pessoas esperando equipamentos de saúde para deficientes físicos - como cadeiras de rodas, apoios para cabeça, lupas e aparelhos auditivos, entre outros - no Sistema Único de Saúde. Segundo ela, os números apontam que esse déficit deve ser zerado até 2011.

Embora não seja responsável pela distribuição de equipamentos, a subsecretaria comandada por Izabel tem o papel de acompanhar e articular as políticas para deficientes em diversas áreas do governo federal.

segunda-feira, 16 de novembro de 2009

"Todos têm de aprender a lidar com as diferenças"

É preciso colocar um escorregador que leve as crianças até a piscina, brinquedos aquáticos, piso emborrachado, um chuveirão próximo da área de lazer e uma porta que se abra como a de um castelo. O pequeno Mateus Oliveira Gonçalves, 9, está empolgado com os seus planos de fazer da Casa da Esperança um grande parque de diversão. ``Algo parecido como a Disney ou o Beach Park``, explica com um linguajar formal. O garoto passa boa parte do tempo traçando planos, elaborando sistemas e tentando convencer os profissionais de que um grandioso parque de diversões iria ajudar no tratamento das crianças e jovens.

Há uns três anos, ele participa das atividades na fundação que cuida de pessoas com espectro de autismo. ``Mas eu entendo mais do que eles, claro``, diferencia-se em relação aos outros colegas. Mateus sabe que possui a síndrome de Asperger & considerado um tipo mais leve de autismo. ``Estou aprendendo a me comportar e a respeitar os outros``, diz, eloquente. Entretanto, ele está bem mais interessado em contar sobre o seu projeto. ``Já estou ficando preocupado, precisamos desse parque urgentemente``, reitera.

A fixação por determinado assunto e a comunicação rebuscada são características da síndrome. Os pais chegam a ficar impressionados com algumas palavras que ele cita e com a quantidade de informação sobre determinada temática. ``Ele também gosta muito de navios e trens. Já assistiu ao filme Titanic várias vezes e desenhou a sequência das cenas com uma riqueza de detalhes impressionante``, comenta o pai João Batista, 49. Foi ele o primeiro a perceber que o filho era ``diferente``.

``Ele não atendia ao nosso chamado e estava sempre distante. Tinha medo de barulho de liquidificador e da partida do carro. Costumava também sair correndo sem direção``, lembra. No início, a mãe tentava negar, dizia que ele era igual às outras crianças. Mesmo assim, para João Batista, que tem um irmão autista, os sinais que Mateus passava inconscientemente chamavam a atenção.

A jornada pelos consultórios pediátricos começou quando o menino ainda era bebê. ``Um neuropediatra chegou a me dizer que o Mateus não tinha nada, que eu estava impressionado e vendo coisas onde não existia``, conta. O que poderia ser alívio para alguns pais, não foi para João Batista. Era apenas o início da saga pela busca de um diagnóstico preciso. ``Foi impactante saber que ele tinha a síndrome de Asperger``, reconhece. O maior temor é sobre a possibilidade do menino não conseguir administrar a própria vida. ``As pessoas podem não perceber que ele é diferente no primeiro contato, mas depois vão perceber. Esconder o problema é alimentar o preconceito. Todos têm de aprender a lidar com as diferenças``, acredita.

Entre descidas no escorregador e balanços no pequeno parque montado na fundação, o pequeno Mateus segue planejando estratégias para realizar seus sonhos e brincando, como qualquer outra criança com nove anos de idade. (
Viviane Gonçalves)


PENSE NISSO

``O mundo precisa saber que existem enormes diferenças de comportamento humano. As pessoas estão muito dispostas a descartar alguém que não responde como elas gostariam``,
John Elder Robinson

FONTE : Fábio Adiron

segunda-feira, 9 de novembro de 2009

ESPAÇO DE APREDIZAGEM OU DE EXCLUSÃO?

A saia justa da exclusão
Acabo de assistir, no Fantásticvo nosso de cada domingo, a matéria sobre a expulsão da estudante que usou uma saia justa e curta e, por isso, foi expulsa da faculdade.
O fato me faz pensar no quanto ainda estamos longe de uma sociedade igualitária, democrática e, ainda, no quanto estamos produzindo em nossos jovens posturas preconceituosas e equivocadas. O que mais me assustou na reportagem, não foi a postura da instituição que se diz de ensino mas, o discurso de um jovem universitário, aluno de engenharia que, envolvido no movimento de agressão à aluna da saia justa, afirmou que a roupa e o comportamento ousados da moça denegriram a imagem da universidade.
O que nós, educadores, ativistas de direitos humanos, seres humanos pensantes, estamos fazendo com nossa sociedade?
Como promover avanços na educação, na garantia de direitos, em uma sociedade na qual a saia justa de alguém provoca tamanha reação preconceituosa de jovens e dos próprios "educadores"?
Cabe a nós, a partir desse episódio, atuar fortemente na transformação dessa sociedade de preconceitos velados, de valores retrógrados e de verdades hipócritas.
Pensemos nisso
grande abraço
Naira Rodrigues

segunda-feira, 26 de outubro de 2009

ESQUECER O PARAPAN

Ganhamos 2016! E junto veio, embrulhada por nós mesmos, a obrigação de realizar também os Jogos Paraolímpicos. Ninguém comemorou, ninguém mencionou, ninguém brindou. De certa forma nós que trabalhamos na área já estamos acostumados a esse processo de exclusão, mas alguém precisa lembrar a todos essa obrigação que torna ainda mais difícil fazer acontecer com exemplaridade o projeto com o qual nos comprometemos e que venceu em Copenhague.  O exemplo do Para-pan foi péssimo. Quanta diferença entre as condições dos Jogos Panamericanos e Para-panamericanos! Golden Cross para os atletas olímpicos e SUS para os atletas com deficiência. A questão não é terem os atletas com deficiência sido atendidos através do Sistema Único de Saúde, entendo que esse deveria ser o serviço oferecido a olímpicos e paraolímpicos, se esse é o sistema que atende a todo brasileiro. O problema é a diferença, dar tratamento diferente é crime.  Mas não vou bater nessa tecla da diferença, teria que falar da abertura, do encerramento, da falta de transporte acessível, da construção de estádios e da Vila Paraolímpica sem acesso para pessoas com deficiência.  Deveria falar também das histórias contadas no Sumário Executivo da nossa candidatura. Por exemplo, sobre a experiência em realizar competições paraolímpicas, o dossiê fala dos bem realizados #Jogos Mundiais # para cegos e deficientes visuais, em 2007, e Jogos Mundiais em Cadeiras de Rodas, em 2005. Tão bem sucedidos que faliram as duas federações nacionais responsáveis, a CBDC e a ABRADECAR.  Quero falar do futuro, do que nós, do movimento de pessoas com deficiência, queremos para 2016: 1 Uma cidade para todos: transporte acessível para o uso por deficientes em especial cadeirantes e pessoas com dificuldade de locomoção. 2 Estádios e Vila Olímpica com acessibilidade universal, o novo conceito que faz da construção de espaços um meio de acesso para todos, deixando de lado a idéia de adaptação e sem o engodo que foi a acessibilidade dos equipamentos esportivos construídos ou reformados para 2007. 3 Um Comitê Paraolímpico forte e atuante com atletas e clubes apoiados diretamente. Hoje os recursos públicos ficam só com as organizações dirigentes e nem para o Para-pan nem na candidatura de 2016 houve uma participação efetiva dos paraolímpicos.     4 Um legado social para o Rio.   Devemos estar atentos para cobrar, em nome de cada carioca e de cada voto ganho em Copenhague, as promessas feitas e a transparência prometida.  *Teresa Costa d'Amaral é superintendente do IBDD